A classe operária e as forças motrizes da revolução

Para que a classe trabalhadora possa cumprir sua missão histórica e exercer seu papel de classe dirigente no processo revolucionário, ela precisa de um partido de vanguarda, o partido marxista-leninista. Por conta própria, a classe trabalhadora é capaz de compreender sua condição como uma “classe em si”, mas ainda não como uma “classe para si”.

QUITO (EQUADOR) — Na sociedade capitalista, as duas classes fundamentais são a burguesia e a classe trabalhadora. A burguesia, como proprietária dos meios de produção, precisa contratar a força de trabalho dos trabalhadores para desenvolver a produção, sempre buscando garantir uma alta participação na mais-valia, o que implica na exploração da classe trabalhadora. A classe trabalhadora, por sua vez, para vender sua força de trabalho, precisa estar privada da propriedade dos meios de produção, não tendo outra alternativa de sobrevivência a não ser vender sua força de trabalho.

Essa relação entre as duas classes principais na produção capitalista não é harmoniosa; pelo contrário, é uma relação antagônica. A burguesia contrata os trabalhadores apenas sob a condição de que eles produzam mais-valia para ela. A classe trabalhadora, por sua vez, é obrigada a vender sua força de trabalho porque não possui os meios de produção. Nesse contexto, a burguesia assegura o aumento de seus lucros ao elevar os níveis de exploração da classe trabalhadora, que, sem outra alternativa, luta por melhores salários e condições de vida. No entanto, qualquer conquista obtida pela classe trabalhadora é temporária, pois a burguesia rapidamente busca recuperar e ampliar suas cotas de mais-valia.

Esse confronto é a base da luta de classes. É por isso que a burguesia necessita do Estado capitalista e do controle do poder político para submeter a classe trabalhadora às suas condições de exploração e opressão.

Embora a sociedade capitalista seja dominada pela burguesia e pela classe trabalhadora, existem outras classes, como a pequena burguesia, composta por pequenos proprietários, autônomos, e funcionários públicos e privados; o semiproletariado, que combina o trabalho assalariado com o trabalho autônomo. No campo, além da burguesia agrária e dos assalariados agrícolas, existem os camponeses pobres, médios e ricos, além dos proprietários de terras, que, embora com menor influência atualmente, ainda desempenham um papel na estrutura social.

A burguesia, como classe dominante, explora o trabalho de todas as classes sociais não exploradoras, canalizando seus esforços para o processo de acumulação capitalista. Com exceção dos proprietários de terras e dos camponeses ricos, todas as outras classes sofrem a exploração e opressão da burguesia.

As classes não proletárias buscam resolver seus problemas melhorando sua situação material e preservando ou aumentando sua pequena propriedade privada. Já a classe trabalhadora, para encontrar uma solução definitiva para sua condição, precisa se libertar da exploração, o que só é possível com o fim da propriedade privada dos meios de produção e a transformação desses em propriedade social, ou seja, socializando os meios de produção.

Esse processo implica a superação do capitalismo e sua substituição pelo socialismo, que só pode ser conduzido pela classe operária, como a classe de vanguarda da revolução social. No entanto, a classe operária não pode realizar essa transformação sozinha; é necessário que outras classes exploradas, especialmente o campesinato pobre, se unam a ela, formando uma sólida aliança operário-camponesa.

Para que a classe operária possa cumprir sua missão histórica e assumir seu papel de direção no processo revolucionário, ela precisa de um partido de vanguarda, o partido marxista-leninista. Apenas com a direção de um partido revolucionário, que organiza, educa e guia a luta da classe operária, é que a classe operária poderá se elevar de “classe em si” para “classe para si”, assumindo plenamente sua missão de lutar por sua emancipação e pela emancipação de todas as classes exploradas e oprimidas pelo capitalismo.

A consciência de classe, portanto, não surge espontaneamente; é o resultado da assimilação da ideologia marxista-leninista, do reconhecimento da necessidade de um partido comunista como vanguarda, e da disposição para travar as batalhas políticas revolucionárias que levarão à conquista do poder e à construção de uma nova sociedade, a sociedade socialista.