Venezuela: o PCMLV e a luta eleitoral dos Marxista-Leninistas

Participação eleitoral como tática marxista para difundir ideias revolucionárias e organizar a classe trabalhadora, visando a criação de uma frente popular e a preparação para a revolução – Notas do Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela (PCMLV).

CARACAS (VENEZUELA) – Para os marxistas, o foco central é a luta de classes, participando de cada conflito no momento e fortalecendo a confiança dos trabalhadores em suas próprias forças, com a perspectiva de mobilizar todo o movimento de massa com a classe trabalhadora à frente de maneira revolucionária. A participação eleitoral é uma tática importante para que as ideias políticas do proletariado cheguem às grandes massas. A luta eleitoral é uma forma de luta dentro da legalidade burguesa, na qual o proletariado pode expressar seu programa político para a sociedade. No entanto, o objetivo eleitoral não é o fim em si, diferenciando os marxistas dos reformistas e revisionistas, que veem as eleições como a principal forma de luta política.

A participação em campanhas eleitorais e no parlamento burguês não é novidade para as organizações que se consideram marxistas. Desde a época de Karl Marx, os grupos de trabalhadores socialistas começaram a discutir a formação de partidos políticos comunistas. Mais tarde, foi Friedrich Engels, companheiro de Marx, quem promoveu a participação eleitoral nas organizações social-democratas, como os socialistas eram conhecidos na época.

Engels entendia que a luta de classes não seria vencida por meio de resultados eleitorais, encarando a participação parlamentar de forma tática. O objetivo era acumular forças (não eleitorais, mas militantes e em setores estratégicos) e ganhar influência de massa, com o propósito de alcançar uma revolução vitoriosa. Engels pertenceu a uma geração de trabalhadores revolucionários que alcançou certa legalidade em diferentes países, após um período em que as organizações marxistas foram banidas e atuavam na clandestinidade.

Após a morte de Engels, a social-democracia, reunida na Segunda Internacional, avançou na arena eleitoral, tornando-se uma força política relevante em países como Alemanha, França e Inglaterra, com bancadas de deputados socialistas que propunham um programa operário e visavam superar a sociedade capitalista para estabelecer uma sociedade sem exploração.

Contudo, a falência da Segunda Internacional ficou evidente quando seus deputados traíram todos os princípios de classe, votando em seus respectivos países a favor da guerra, o que resultou na morte de milhões de trabalhadores. Isso beneficiou os milionários de um país sobre seus concorrentes em outra nação imperialista. A adaptação e traição da social-democracia mostraram a importância de construir organizações revolucionárias que disputassem a influência das massas com reformistas, conciliadores e traidores em momentos críticos, como os bolcheviques fizeram com os mencheviques. Ficou claro, então, a importância de entender a participação no parlamento de forma tática.

A Terceira Internacional, tática e estratégia

Após o triunfo da Revolução Russa, o Partido Bolchevique convocou as forças revolucionárias da classe trabalhadora internacional a se unirem em uma nova internacional revolucionária. Alguns revolucionários consistentes, que já haviam rompido com a Segunda Internacional, mantiveram contato e discussões desde a Conferência de Zimmerwald, onde a esquerda socialista que se opunha à Primeira Guerra Mundial se reuniu em 1915.

O objetivo de participar das eleições não era administrar o estado capitalista para conceder algumas melhorias às classes exploradas, mas sim conquistar a simpatia de milhões e aproximar ideologicamente as massas trabalhadoras das posições marxistas. As eleições eram vistas como uma alavanca para gerar consciência de classe, ao mesmo tempo que estimulavam a organização e a mobilização extraparlamentar.

Aproveitar a democracia burguesa, sempre que possível, servia para levar um programa revolucionário aos trabalhadores assalariados e seus aliados pobres nas áreas urbanas e rurais, atendendo às suas demandas mais urgentes e defendendo seus direitos imediatos. No entanto, o objetivo estratégico era criar partidos com milhares de revolucionários profissionais, preparados para intervir em momentos críticos da luta de classes, tendo conquistado influência de massa.

A participação no processo eleitoral era uma tática importante para expandir maciçamente a influência das ideias socialistas. Isso, combinado com outras táticas, como a participação sindical, seria fundamental para a criação de partidos internacionalistas com militantes revolucionários capazes de conquistar a maioria da classe trabalhadora.

A luta entre os partidos é a expressão plena e específica da luta política entre as classes. As táticas eleitorais devem ser guiadas, condensadas e solidificadas em uma palavra de ordem que reflita essa luta. Para Lênin, assim como para Marx, a tática eleitoral é deduzida dialeticamente da análise das condições objetivas e da situação concreta, com o partido definindo as formas de organização e luta de acordo com a realidade.

O partido tenta disseminar seu programa nos palanques eleitorais, distinguindo-se da burguesia tradicional dependente dos EUA e da UE, bem como da burguesia emergente chamada de "burguesia revolucionária". O programa do partido da classe trabalhadora se diferencia dos demais pelo seu conteúdo de classe.

Atitude dos comunistas marxista-leninistas em relação a um governo social-democrata

Georgi Dimitrov, líder revolucionário búlgaro, orientou que os marxista-leninistas deveriam utilizar demandas concretas dos partidos social-democratas, extraídas de suas próprias plataformas e promessas eleitorais, como ponto de partida para ações conjuntas com esses partidos e organizações. Isso facilitaria o estabelecimento de uma frente unida baseada nas demandas das massas, que lutam contra a ofensiva do capital e o fascismo.

Além disso, Dimitrov enfatizou a importância de uma crítica séria e fundamentada ao social-democratismo como ideologia e prática de colaboração de classe com a burguesia, ao mesmo tempo em que orientou a construção de uma frente popular com outras camadas da sociedade para enfrentar o fascismo, mantendo a independência do partido.

Nosso partido estuda os clássicos e a realidade de nosso país e, com base nisso, apoiamos o governo com críticas e reivindicações. Nas eleições de 28 de julho, nas quais o candidato fascista Edmundo González, representante da burguesia pró-ianque e da família Machado-Zuloaga, enfrenta o presidente Nicolás Maduro, devemos considerar como apoiar Maduro enquanto afirmamos nosso programa e demandas, mantendo nossa independência e construindo alianças com os setores mais avançados na luta contra o fascismo.

Dimitrov criticou fortemente os erros e o oportunismo tanto da direita quanto da esquerda. O oportunismo pode se manifestar tanto em uma campanha sem independência quanto em uma oposição radical que nos isola das massas e nos coloca na cauda da direita. Ambas as formas de oportunismo nos colocariam na esteira da burguesia tradicional ou emergente. Portanto, como marxista-leninistas, apresentamos nossa própria bandeira e lutamos contra o fascismo ao lado do movimento popular.