Abstenção e a liquidação da consciência revolucionária


INTRODUÇÃO

Dentro dos círculos de novos militantes, de novos combatentes e pensadores comunistas, surgem polêmicas acerca da própria concepção histórica do movimento comunista internacional. Na flor da busca pelo conhecimento, nossos militantes se deparam com uma contradição tão vivida que, logo entendida, são capazes de observar a grandeza que essa contradição nos causou, surgem mais dúvidas, perdem-se as vozes, esforçam a mente ao máximo para compreender o mundo que os cerca com essa contradição e, muitas vezes, acabam em mais dúvidas e incertezas do caminho que estão traçando.
Não é à toa, o debate entre “Stálin contra Trotsky” representou e representa um estágio de acúmulo da história de todo movimento comunista internacional, onde, através dos tempos, surgiram novos partidos comunistas e novos militantes dispostos a dar mais ainda sua contribuição para esse debate. Entre os jovens militantes, há a sempre a incerteza do lado que tomar nessa questão tão séria que, alguns, decidem pela abstenção, pelo aceitamento de que “ambos eram bolcheviques e tinham suas contribuições teóricas e políticas para o Partido”, ou que “a URSS seria infinitamente mais forte se Stálin e Trotsky estivessem lado a lado ao invés de lutar entre si”, alguns, com forte tendência oportunista chegam a declarar “ambos tiveram erros e acertos, é preciso superar esse debate e construir a unidade dentro do movimento comunista, abandonar velhas bandeiras e se importar com o que acontece nos dias de hoje, devemos apenas defender Vladimir Lênin!”.

Bom, nossa contribuição será para demonstrar que essa abstenção não representa mais que a destruição da consciência revolucionária das novas gerações de militantes que estão, diariamente, se aproximando das fileiras da juventude comunista, do Partido Comunista, para lutar pela liberdade e soberania de seu povo. A abstenção acerca desse debate é nada mais que o favorecimento da mesma ideia que destruiu o socialismo na URSS e em todo Leste Europeu. Segui-lo-emos então.

A ABSTENÇÃO É A DERROTA DO SOCIALISMO

Podemos observar nos círculos comunistas debates intensos entre os marxistas-leninistas e os trotskistas e alguns, cedendo frente a idade já avançada da polêmica, afirma seu caráter enfastiante, repetitivo e que parece, quase sempre, que não chegamos a nenhuma conclusão e, por isso, devemos aceitar ambos e elevar sua medula racional, que é Lênin. Afirmam também que os dois lados carregam a sua razão, abdicando da objetividade da verdade, simplificando e capitulando ao subjetivismo por não conseguir abordar de maneira dialética uma contradição.

Insistem em recorrer à Lênin como grande apaziguador do debate, como aquele que garante a paz dentro do Partido, esquecem que Lênin tinha sim um posicionamento muito bem definido nesse debate. O debate não se inicia com Stálin e Trotsky, mas sim entre o próprio Lênin contra Trotsky, e Stálin, nesse sentido, representa uma continuidade desse debate que foi provocado por Lênin acerca do processo da internacionalização da Revolução de Outubro.

Prevalece ainda o clichê da historiografia burguesa que estabelece Stálin como o grande teórico do “Socialismo em um só País”, limitando o socialismo apenas aos países soviéticos, impedindo que essa se espalhasse mundo afora. E Trotsky, por sua vez, queria que a Revolução passasse de estágios permanentes, que não cessasse, que fosse capaz de passar permanentemente de um país a outro. Porém o mérito de ser o teórico do socialismo em um só país não pertence a Stálin, mas a Lenin.

“A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado por separado. O proletariado vitorioso deste país, depois de expropriar os capitalistas e de organizar a produção socialista no seu país, erguer-se-ia contra o resto do mundo, capitalista, atraindo para o seu lado as classes oprimidas dos outros países, levantando neles a insurreição contra os capitalistas, empregando, em caso de necessidade, mesmo a força das armas contra as classes exploradoras e os seus Estados.”
- Vladimir Lênin: Sobre a palavra de Ordem dos Estados Unidos da Europa.

A descrição de Lênin demonstra não só que a revolução socialista possui um caráter nacional, mas que, a partir de seu caráter nacional, internacionalmente os povos erguem-se para também se libertar. Caso contrário, se levássemos à descrição absurdamente literal, deveríamos dizer que Stálin foi então muito e um ótimo Trotskista, pois foi sob sua liderança que o Leste Europeu, e a Ásia finalmente carregaram a bandeira do socialismo, após a segunda guerra mundial.

Porém, Stálin não foi um trotskista, mas o grande teórico do marxismo-leninismo, que levantou a bandeira de Lênin às últimas consequências, que estudou e assimilou com profundidade a filosofia, a concepção de mundo Materialista Dialética e, a partir desse conhecimento, Stálin foi capaz de liderar o proletariado mundial para a paz e a prosperidade sob o socialismo, ser o pai dos povos.

Pois então, ao falar de Lênin como guia da Revolução, devemos olhar o seu continuador, Stálin, como o líder de massas internacional que precisou a Revolução Socialista, entendendo que ele não possuiu antagonismos com Lênin, mas que Lênin divergia frontalmente de Trotsky e que sufocar essa contradição significa, inevitavelmente, a destruição da consciência de que é possível construir uma revolução Marxista-Leninista em nosso país e no mundo.

“Prove-nos que Lênin possuía antagonismos com Trotsky, prove-nos que que esses eram verdadeiros inimigos acerca da revolução e da construção do socialismo na Rússia!” – podem nos questionar alguns leitores.

Para essa questão, iremos abordar uma série de tópicos que demonstram a impossibilidade de se abster a esse debate entre ambas as opiniões, vamos destacar, também, o papel de Stálin nesses debates.

1.      REVOLUÇÃO SOCIALISTA

Ainda é necessário abordar com mais profundidade a questão da revolução e da luta pelo poder político do proletariado. O leninismo, como teoria defendida por Stálin, coloca que a revolução em uma série de países representa uma rara ocasião na história do mundo e que, no essencial, é possível sim e mais comum, a vitória do proletariado em um país apenas. Lênin coloca:

“Se os exploradores são derrotados apenas num país, e esta é naturalmente a regra, porque uma revolução simultânea em vários países constitui rara exceção, continuarão, não obstante, mais fortes, do que os explorados.”
- Vladimir Lênin: A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky.

Enquanto isso, Leon Trotsky dizia:

“Se o proletariado russo, tendo ascendido temporariamente ao poder, não levar a revolução, por sua própria iniciativa, a território europeu, será obrigado a fazê-lo pelas forças da reação feudal-burguesa europeia.

Deixada com os seus próprios recursos, a classe operária russa será inevitavelmente esmagada pela contrarrevolução desde que o campesinato se afaste dela; só terá a possibilidade de ligar a sorte do seu poder político e, por consequência, a sorte de toda a revolução russa, à da revolução socialista na Europa.”
- Leon Trotsky: Balanças e Perspectivas.

Ou seja, enquanto Lênin coloca abertamente que a revolução tende a se desenvolver como regra em um só país, para assim, desenvolver as forças econômicas e políticas dentro de seu território nacional para fortalecer a revolução em outros países, que após a vitória inicial do proletariado está de guarda nos demais países capitalistas, Leon Trotsky, ao contrário, diz que para a revolução russa ser vitoriosa e não perecer, é necessário que literalmente exporte a revolução a outros países da Europa.

Para além de caracterizar um verdadeiro aventureirismo pequeno-burguês, esse desejo revolucionaríssimo jovem, não representa nada além da destruição da revolução socialista. Josef Stálin, seguindo fielmente os passos de Lênin e aprofundando e engrandecendo ainda mais sua obra, defendeu a teoria do “Socialismo em um Só País” em sua obra, Fundamentos do Leninismo.

“A burguesia, derrocada em um país, continua a ser, por muito tempo, por várias razões, mais forte do que o proletariado que a derrubou. Por conseguinte, tudo reside em conservar o Poder, em consolidá-lo, em torná-lo invencível.”
- Josef Stálin: Fundamentos do Leninismo.

Vemos então que a abstenção nesse debate, o recuo para Lênin, como apaziguador de ambas as teorias não é nada além de uma verdadeira falácia e que ela representa um verdadeiro desconhecimento da verdadeira natureza revolucionária do Marxismo-Leninismo, pois o próprio Lênin não apaziguou com a teoria da “Revolução Permanente” e que, na verdade, lutou continuamente para impedi-la de conquistar novos pequenos burgueses com tendências aventureiras.

E a história comprovou, Stálin jamais deixou de guiar os povos para a revolução completa e internacional, foi através da sua liderança que o mundo conheceu o socialismo para além da URSS e que tiveram experiências únicas e particularidades, como a abolição da religião na Albânia. Por isso é impossível pensar em Stálin e não enxergar a sua influência em todo o mundo, como um chefe da revolução socialista mundial e defensor da sua passagem ao comunismo.

Portanto, a abstenção nesse debate reflete apenas o fortalecimento do Trotskismo, e das teorias estranhas ao Marxismo-Leninismo, pois permite a impregnação dessa teoria em diversos quadros do Partido Comunista levando assim o Partido a disputas internas e ao divisionismo, ao rompimento da unidade, elo necessário para manter o Partido como maior instrumento coletivo da Classe Operária. Precisamos sim ter lado e o lado da revolução é, observando a história, a bandeira de Lênin, carregada por Stálin, o seu fiel aluno.

2.      CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO NA UNIÃO SOVIÉTICA

Após a tese leninista da revolução se concretizar na Rússia e, em seguida, nos demais países que compunham a URSS, Lênin buscava lançar as bases materiais necessárias para a construção do socialismo, através de um plano de fortalecimento da produção de energia, produção industrial e uma Revolução Cultural dirigida pelo Partido Comunista, vanguarda dirigente dos camponeses e operários do país.

“O comunismo é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país, já que a indústria não pode ser desenvolvida sem eletrificação.”
- Vladimir Lênin: Nossas Posições Atuais e as Tarefas do Partido.

Na questão agrária, Lênin jamais rebaixou-se a teoria menchevique e trotskista do atraso intelectual e cultural da classe camponesa, sendo seu aliado político e olhando com toda a atenção para as suas necessidades. O czarismo tinha como política cultural a propagação do obscurantismo em filosofia e teus sábios mais iminentes proviam da intelectualidade Católica, sendo pensadores fiéis ao czar em busca de privilégios. Aos latifundiários ricos em muito favorecia a massificação da fé cega e do dogmatismo religioso. Lenin não se enganou com as falácias mencheviques e soube que os culpados por essa desgraça na esfera da cultura não eram os camponeses, mas as classes dirigentes que pensavam ainda como na Idade Média. Isso nos muniu com as bases de uma revolução cultural socialista em sua essência, visando a popularização da cultura entre os camponeses e a alfabetização desses após a revolução socialista.

“Mas a organização de todo o campesinato nas sociedades cooperativas pressupõe um padrão de cultura entre os camponeses que não podem, de fato, ser alcançados sem uma revolução cultural.

Nossos oponentes nos disseram repetidamente que éramos precipitados em implantar o socialismo em um país insuficientemente culto. Mas eles foram enganados por termos começado do lado oposto àquele prescrito pela teoria (a teoria de pedantes de todos os tipos), porque em nosso país a revolução política e social precedeu a revolução cultural, aquela revolução cultural que, no entanto, agora nos confronta.

Essa revolução cultural seria suficiente para tornar nosso país um país completamente socialista.”
- Vladimir Lênin: Sobre as Cooperativas.

Enquanto Lênin tratava o processo posterior à Revolução como um processo em construção, que vem se solidificando e se fortificando em todo o país, para assim lançar uma nova ofensiva contra o capital internacional e impulsionar a revolução mundial, Trotsky preocupava-se com as mesmas teorias pedantes e derrotistas que Lênin criticou furiosamente. Para Trotsky, o campesinato russo é caracterizado como:

“Barbárie política, falta de maturidade social e de carácter, e atraso mental. Não tem nada que seja suscetível de fornecer uma base, na qual se possa confiar, para uma política proletária coerente e ativa no campo. Após a tomada do poder, o proletariado será obrigado a levar a luta de classes ao campo.”
- Leon Trotsky: Balanças e Perspectivas.

Ainda mais, Trotsky duvidava duramente da capacidade do povo se unir e se organizar para a construção de uma política socialista moderna após a revolução:

“Até que ponto a política socialista da classe operária pode ser aplicada nas condições econômicas da Rússia? Há uma coisa que se pode dizer com certeza: chocará com obstáculos políticos bem antes de tropeçar no atraso técnico do país. Sem o apoio direto do proletariado europeu, a classe operária russa não poderá manter-se no poder e transformar o seu domínio temporário em ditadura socialista durável. Sobre isto não podemos ter nenhuma dúvida.”
- Leon Trotsky: Balanças e Perspectivas.

Ou seja, após encontrar as primeiras dificuldades e contradições após o assalto do poder, Trotsky já passa para a política de capitulação política e destruição do poder soviético, subestimando a capacidade do proletariado e do campesinato. Trotsky ainda coloca:

“O fato de o Estado operário em um só país, país atrasado em excesso, se manter contra o mundo inteiro testemunha o poder colossal do proletariado, um poder que, nos outros países mais avançados, mais civilizados, será realmente capaz de realizar fenômenos prodigiosos. Mas nós, mantendo-nos política e militarmente enquanto Estado, não conseguimos chegar à criação de uma sociedade socialista, não nos aproximámos sequer disso.”
- Leon Trotsky: O Programa da Paz.

Lênin lançou as teses para a construção do poder soviético na Rússia, Stálin o apoiou fielmente e, após a morte de seu camarada, cumpre com toda determinação o que lhe foi confiado ao promover a política de eletrificação do país, os Planos Quinquenais, a Coletivização da Terra e a Revolução Cultural.

No setor da eletrificação, segundo “Manual Estatístico do Progresso do Poder Soviético”, a URSS sob liderança de Stálin, só em 1935, foi capaz de produzir cerca de 4,07 milhões de KWh com um amplo processo de eletrificação planificada do país. Esse apogeu nos mostra a grandeza no papel de Stálin no cumprimento dos planos de Lênin, sendo que a meta estipulada em 1920 era apenas de 1,75 milhões de KWh, ou seja, Stálin cumpriu o plano inicial em 233%.

Já na construção da indústria socialista, no período 1926-1927 já haviam sido investidos na industrialização ₽$5 milhões, conquistados através da própria política de acumulação de capital e expropriação.

“A abertura realizada pela revolução, de 1918-1931, lançou as fases da expansão industrial notável dos anos 30, que salvou o país na Segunda Guerra Mundial.

Ao final de 1932, o Produto Industrial Bruto tinha mais que dobrado em relação a 1928. À medida que os projetos do primeiro Plano Quinquenal entravam, um após o outro, em operação, na metade de 1930, a produção industrial conheceu uma expansão extraordinária. No curso dos anos 1934-1936, o índice oficial mostrava um aumento de 88% para a produção industrial bruta.

No curso da década de 1927-1937:

1.      A produção industrial bruta aumentou de ₽$18.300 milhões para ₽$95.500 milhões;
2.      A produção de aço passou de 3,3 milhões de toneladas para 14 milhões de toneladas;
3.      O carvão de 35,4 milhões de metros cúbicos para 128 milhões de metros cúbicos;
4.      A potência elétrica de 5,1 bilhões de kilowatts-horas para 36,2 de kilowatts-horas;
5.      A de máquinas-ferramentas de 2,098 unidades para 36,120 unidades.

Esses são apenas dados preliminares do processo revolucionário da construção da indústria.”
- Hiroaki Kuromiya: A Revolução Industrial de Josef Stálin.

Esses dados nos mostram que Stálin realizou o plano de Lenin para a construção e fortalecimento do país através de uma política de eletrificação e industrialização. Na agricultura e na cultura não foi diferente, o que Lênin não conseguiu realizar em vida, sempre houve seu maior e melhor aluno para realizar e melhorar.

“Quase o mesmo quadro de progresso apresentava a agricultura. A superfície de colheita de todas as culturas aumentou de 105 milhões de hectares, em 1913 (período de antes da guerra), para 135 milhões de hectares, em 1937.

1.      Produção de Cereais aumentou de 78.424.000, em 1918, a 111.884.000 toneladas, em 1937;
2.      Produção de Algodão Bruto aumentou de 720.000 para 2.522.520 toneladas;
3.      Produção de Linho aumentou de 311.220 para 507.780 toneladas;
4.      Produção de beterraba e açúcar, de 10.712.520 para 21.474.180 toneladas;
5.      Produção das Culturas de Plantas Oleaginosas aumentou de 2.113.020 para 5.012.280 toneladas.

Convém advertir que em 1937, somente os Kolkhozes (sem contar os Sovkhozes) lançaram ao mercado mais de 27 milhões e meio de toneladas de trigo, ou seja, 6 milhões e meio de toneladas mais que os latifundiários, os Kulaks e os demais camponeses juntos, em 1913.

Só um ramo da economia rural, a criação de gado, se achava em um nível inferior ao de antes da guerra e continuava avançando lentamente.

No que se refere à coletivização da agricultura, esta podia dar-se já por terminada. Em 1937 estavam incorporadas aos Kolkhozes 18 milhões e meio de explorações camponesas, o que representava 93% das explorações camponesas de todo o país; e a superfície de colheita de cereais dos Kolkhozes representava 99% da superfície total de cereais semeados pelos camponeses.

Os frutos da reconstrução da agricultura e de sua dotação intensiva com tratores e maquinaria agrícola estavam à vista.”
- Academia de Ciência da URSS: A História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS.

Leon Trotsky negou a possibilidade de construção do socialismo no campo com uma classe camponesa tão atrasada culturalmente, chegando ao ponto de dizer que essa seria a razão pela queda do socialismo na Rússia, no entanto, Lênin e Stálin não capitularam diante desse desafio enorme e a URSS foi capaz de promover uma verdadeira revolução cultural nas cidades e nos campos do país.

“Ao mesmo tempo se traçava um vasto plano de construção de maternidade, creches, cozinhas infantis e jardins de infância. Em 1936 se destinaram para estes fins 2.174 milhões de rublos contra 875 milhões em 1935. Baixou-se uma lei especial, proporcionando uma ajuda considerável às famílias numerosas. Em 1937 se inverteram mais de mil milhões de rublos em subsídios concedidos segundo esta lei.

Como resultado da implantação do ensino obrigatório e da construção de novas escolas, surgiu um grande e potente florescimento cultural entre as massas populares. Por todo o país se desenvolveu um grandioso plano de construção de escolas. O número de alunos das escolas primárias e médias aumentou de 8 milhões em 1914 para 28 em 1936-37. O número de alunos das Escolas superiores aumentou de 112.000, em 1914, para 542.000, em 1936-37.

Foi uma verdadeira revolução cultural.

No rápido melhoramento da situação material e no desenvolvimento cultural das massas populares se revelavam a força, a potência e o caráter invencível da Revolução Soviética. As revoluções anteriores haviam fracassado sempre, porque, ainda que dando ao povo a liberdade, não tinham podido oferecer-lhe ao mesmo tempo, uma melhora sensível de sua situação material e cultural. Era está a sua falha mais importante. A Revolução soviética se distingue de todas as demais revoluções pelo fato de que, além de livrar o povo do czarismo e do capitalismo, veio melhorar radicalmente sua situação material e cultural. Nisto reside sua força invencível.”
- Academia de Ciência da URSS: A História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS.

Que conclusão tirar depois desses fatos históricos? Devemos apoiar qualquer abstenção no debate entre Leninistas e Trotskistas acerca da construção do socialismo? Evidentemente que não. A história já nos mostrou e mostra que a bandeira da vitória está com Lênin e, consequentemente, com Stálin também. Portanto, para que nossa vitória na construção de uma Revolução Socialista aconteça, devemos rejeitar qualquer processo de abstenção ideológica em nossas organizações políticas.

A abstenção, dentro de uma organização política séria, que se propõe a construir uma revolução, significa a destruição dessa tentativa, pois compele todos os alicerces ideológicos do inimigo dentro do Partido, permitindo que no destacamento mais profundo, vivo e avançado da classe operária existem elementos que destroem o Partido, sua unidade e lutam para que ele, o partido, seja derrotado em sua tarefa histórica.

Então, para não errar em política é necessário a unidade política revolucionária do proletariado. Que seu partido esteja completamente unido em uma ideologia correta e firme. Não podemos possuir incertezas, pois a razão de nossa luta pelo poder é certa, real e justa; não podemos vacilar teoricamente, pois a vida e a classe operária não permitem qualquer tipo de vacilação. Ou seja, é necessário que o Partido inteiro tenha estabelecido que sua certeza incondicional pertence historicamente à Lênin e Stálin, como grandes revolucionários e que isso seja transmitido em cada atividade partidária onde seja requerida a ideologia do Partido.

Caso o Partido, desde seu Comitê Central até sua base, vacile em que defende ou sua posição não é clara, esclarecida e firme, então é necessário observar se o Partido é Leninista ou Revisionista.

3.      O PARTIDO MARXISTA-LENINISTA E SUA IDEOLOGIA

Chegamos ao terceiro e último ponto, sendo esse de longe o mais crucial para a compreensão integral das evidências que foram acima expostas. A abstenção nesse debate surge da relativa “liberdade” dentro de organizações comunistas que não se preocupam com a conduta ideológica de cada militante, permitindo que eles possuam concepções opostas à ideologia centralizada do Partido e, como consequência, prolifera os jargões da moda e uma série patética de variações revisionistas do marxismo que são exibidas como se novidades simbolizassem.

A liberdade que por eles é tanto exaltada não se opõe em nenhum sentido à “Liberdade de Crítica” que observamos Lênin criticar e demonstrar – no sentido mais euclidiano da palavra – os perigos de tal divagação para a prática concreta do movimento operário revolucionário em sua obra “Que Fazer?”. Os oportunistas utilizam-se da “liberdade” de possuir as próprias convicções opostas à do Partido para afirmar que a centralidade ideológica e orgânica não representa nada além de uma forma de “controle policial”, ou até mesmo “burocrática”. O argumento da liberdade dentro do Partido não é mais nada senão uma impregnação reformista e trotskista dentro do Partido, com o intuito de destruí-lo; enquanto que, em palavras, se esconde com palavreado revolucionário e de unidade.

“Aqueles que não fecham deliberadamente os olhos não podem deixar de ver que a nova tendência ‘crítica’ surgida no seio do socialismo não é mais do que uma nova variedade do oportunismo. Se não julgamos as pessoas pelo brilhante uniforme com que elas próprias se vestiram, nem pelo título pomposo que a si próprias se deram, mas segundo a sua maneira de agir e as ideias que de fato programam, tornar-se-á claro que a ‘liberdade de crítica’ é a liberdade da tendência oportunista no seio do socialismo, da liberdade de transformar esta última num partido democrático de reformas, a liberdade de introduzir no socialismo ideias burguesas e elementos burgueses.

A liberdade é uma grande palavra, mas foi sob a bandeira da liberdade de indústria que se fizeram as piores guerras de pilhagem. Foi sob a bandeira da liberdade de trabalho que se espoliaram os trabalhadores. O emprego atual da expressão ‘Liberdade de Crítica’ encerra a mesma falsidade intrínseca. Pessoas realmente convencidas de ter feito avançar a ciência não reclamariam para as novas concepções a liberdade de existir ao lado das antigas, mas a substituição destas últimas pelas primeiras. Mas os gritos atuais de ‘Viva a Liberdade de Crítica!’ lembram demasiado a fábula do tonel vazio.”
- Vladimir Lênin: Que Fazer? Problemas Candentes do Nosso Movimento.

Aqueles que se escondem por trás do palavreado revolucionário eram os objetos da crítica leninista. Isso porque Lênin, como nenhum outro, percebia que o comunismo jamais temeu a crítica porque nasceu dela. Foi precisamente a crítica das concepções burguesas da Economia Política que lançaram as bases do comunismo científico. A crítica de concepções burguesas como a falsa liberdade de crítica expressava, naquele momento e hoje, uma necessidade no movimento operário para o fortalecimento da ideologia proletária e de seu Partido.

A concepção de que Lênin “apaziguava” as tensões dentro do Partido que ocorriam entre Stálin e Trotsky é uma falsidade em toda linha. Os documentos e a história da tradição política do comunismo nos mostram que Stálin nada era além de um aliado de Lênin no combate deste contra Trotsky e suas perspectivas anti-marxistas.

Lênin jamais defendeu que o Partido Bolchevique, o partido da revolução proletária, fosse um partido que aceitasse uma diversidade infinita de concepções. O Partido é uma arma nas mãos do proletariado e que somente sua organização, disciplina férrea e unidade ideológica, a partir do centralismo democrático podem assegurar a vitória da classe operária na luta pelo poder.

“O proletariado, na sua luta pelo poder, não tem outra arma senão a organização. Dividido pela concorrência anárquica que reina no mundo burguês, esmagado pelos trabalhos forçados a serviço do capital, constantemente atirado para o abismo da miséria mais completa, do embrutecimento e da degenerescência, o proletariado só pode tornar-se, e tornar-se-á inevitavelmente uma força invencível quando a sua unidade ideológica, baseada nos princípios marxistas, é cimentada pela unidade material da organização que reúne milhões de trabalhadores num exército da classe operária.”
- Vladimir Lênin: Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás.

Essa afirmação de Lênin não poderia ser mais categórica. Ela expõe com clareza a visão de Lênin sobre o Partido e se põe frontalmente a qualquer devaneio de que um Partido marxista-leninista faz apologia à diversas “ideias” da revolução, mesmo que fossem elas apenas “puras ideias”. Também há sua afirmação frente as “facções” nos grupos sindicalistas:

“Na luta prática contra o ‘faccionalismo’, toda organização do Partido deve tomar as medidas necessárias para prevenir todas as ações faccionais. Devemos garantir estrita disciplina dentro do Partido e em todo o trabalho soviético, para assegurar máxima unanimidade para eliminar todo faccionalismo.”
- Vladimir Lênin: Sobre a Unidade do Partido e Sobre Desvios Anarco-Sindicalistas.

Ou seja, Lênin deixa explícito que dentro do Partido da revolução comunista não deve haver “faccionalismo”, a ideia que permite a existência de diversos rumos para se entender o mundo, a luta de classes e a postura que a classe operária deve adotar.

Diante dessa afirmativa existe um argumento – também oportunista – acerca do sectarismo, dogmatismo e as disputas internas dentro do partido sobre o desenvolvimento da conjuntura nacional e da luta de classes à nível internacional e geopolítico. Afinal, dentro do mundo há sempre e por toda a parte episódio inéditos que diante desses episódios e situações diversas, muitos militantes podem ter diversos pontos de vista sobre como superar esse ou aquele problema, o que torna uma total unidade ideológica referente aos problemas colocados “impossível”. A conclusão que chegamos explica que é comum haver “frações” e “tendências” dentro do Partido, ou mesmo que é possível haver facções com a suposta “unidade de ação”.

Esse é um debate complexo e requer muito cuidado para abordá-lo. Porém, do ponto de vista do Marxismo-Leninismo, já foi superado no que se refere à organização.  Para os oportunistas, as frações e as disputas internas entre tendências ideológicas dentro do Partido representa algo natural, uma correlação de forças que se supera de hegemonia para hegemonia. Isso nada possui de Marxismo-Leninismo.

Evidente que no Partido Marxista-Leninista há debate, confrontação de ideias opostas e militantes com perspectivas contrárias em ocasiões que são extremamente pontuais e específicas, mas que logo são superadas pelo aprofundamento do debate interno desse círculo que busca esclarecer esse militante sobre a linha política adotada no qual ele diverge. Sendo assim, a disputa de ideias dentro do Partido se manifesta apenas no momento da reunião, do debate, onde é feito sob o espírito de camaradagem e honestidade entre os militantes. Após o período de debates há as resoluções desse debate entre o conjunto da militância. O que será manifestado dessa reunião publicamente é o que a maioria dos militantes decidiram através do centralismo democrático, a opinião coletiva supera a opinião individual.

Essa postura centralizada é tomada pelos revolucionários devido à necessidade de tomar o poder da burguesia, onde é necessário estabelecer a máxima coesão entre cada um dos militantes na luta pelo poder. Para derrubar o poder é necessário disciplina e o cumprimento das tarefas tiradas de maneira decidida e conscientemente militar, porém não imitando o militarismo, onde existe somente a cadeia de comando dos de cima contra os que estão embaixo. O leninismo sobrepõe os interesses da maioria frente aos interesses da minoria. Os militares da burguesia favorecem interesses da cadeia de comando dos oficiais que superam em qualquer meio político ou orgânico os interesses dos sargentos, cabos e soldados.

Os comunistas são soldados da revolução proletária e do trabalho em sua maior essência, os comunistas são homens e mulheres de têmpera especial que suportam as maiores dificuldades de forma coletiva, unida e organizada. E por carregarmos esse título, não é permitida a quebra do centralismo ou sua vulgarização.

A vulgarização do centralismo democrático marxista-leninista toma diversas formas, todas sob a medula racional do oportunismo político, do desvio pequeno-burguês e individualista de colocar-se sempre acima da avaliação coletiva. A forma dessa vulgarização intelectual que encontramos hoje diminui a categoria do centralismo democrático ao título oco de “centralismo teórico”.

Tal é o “centralismo teórico” cuja relação com a “unidade de ação” é velada, pois as ideias podem publicamente serem faccionistas, mas a ação é unitária, conjunta e coletiva. Tal é a concepção teórica dos ditos “Partidos Leninistas”, que não fazem nada além de repetir o histórico do liquidacionismo trotskista sob palavreado revolucionário. Negando a união entre ideia e prática. Como se manifesta a falta de “centralismo teórico”, porém com a “unidade de ação”?

Uma explicação dos oportunistas, os “sociais-revolucionários renegados”, é a frase é autoexplicativa, que dentro do terreno teórico, terreno das ideias, há divergência e frações, metades divididas de um todo, e que no terreno da ação há unidade entre todos, seja esse militante “trotskista, leninista, lukactiano, gramsciano, guevarista, maoísta, luxemburguista ou stalinista”. Torna-se cômico um partido tratar seriamente seu partido, suposto destacamento de vanguarda da classe operária, como uma Frente de Esquerda.

A realidade é que já não falamos de um Partido de vanguarda da classe operária na luta pelo poder, cujo os militantes exercem a disciplina militar baseados no princípio do centralismo democrático, regime que rege a revolução socialista. Nós estamos falando de uma Frente de Esquerda, por mais que os militantes façam uso da foice e o martelo e vistam-se de vermelho. Essa frente baseia-se, em síntese, nas principais características que regem sua funcionalidade:

1.      A Frente de Esquerda permite a dispersão ideológica de seus integrantes, como podemos ver através de manifestações pessoais. Seja fruto de conversa pessoal, seja fruto das redes sociais individuais ou outros meios. A palavra de ordem é cumprir o programa da frente que é unitário em todas as ideologias estranhas ao Leninismo;

2.      A “unidade de ação” da Frente encontra mínima organicidade através das reuniões e, principalmente, do jornal nacional da frente, seu órgão periódico oficial. Não é possível encontrar tal unidade nas redes de propaganda e agitação da Frente, apenas no jornal;

3.      O jornal, o que para o Partido Leninista seria a principal empresa do Partido de propaganda e agitação e organizador coletivo, para a Frente tem pouca atenção. Apenas um periódico secundário e órgão de reafirmar o programa imediato da Frente;

4.      A “unidade de ação” consegue ter apenas “vigência” em ações locais ou estaduais, não é possível fazer uma campanha nacional em torno de um objetivo nacional que não esteja no programa de resoluções da Frente, porque o “Comitê Central” não tem condições estruturais de repassar a linha estratégica da Frente, pois encontra-se entulhado com normas fracionárias;

Esses são alguns pontos que determinam o verdadeiro caráter do “Partido” daqueles que escondem o seu espírito fracionista e Trotskista em palavras de ordem em defesa unicamente da “unidade de ação”. Dizia Lênin:

“A ‘revista operária’ de Trotsky é uma revista de Trotsky para operários, pois na revista não há nem sinal de iniciativa operária, nem de ligação com as organizações operárias. Desejando tornar-se popular, Trotsky explica aos leitores na sua revista para operários as palavras ‘território’ e fator’, etc.

Muito bem. Porque não explicar também aos operários a palavra ‘não fracionismo’? Será que ela é mais compreensível do que as palavras ‘território e fator’?

Não. Não é isso. É que com a etiqueta de ‘não fracionismo’ os piores representantes dos piores restos do fracionismo induzem ao erro a jovem geração de operários. Vale a pena determo-nos para explicar isto.

O fracionismo é o principal traço distintivo do partido social-democrata numa determinada época histórica. Qual exatamente? De 1903 a 1911.

Para explicar do modo mais palpável em que consistia a essência do fracionismo, é preciso recordar as condições concretas de, pelo menos, 1906 e 1907. Então o partido era um único, não havia cisão, mas havia fracionismo, isto é, existiam em um único Partido duas organizações de fato separadas. As organizações operárias na base eram únicas, mas para cada questão séria as duas frações elaboravam duas táticas; os seus defensores discutiam entre si nas organizações operárias únicas.”
- Vladimir Lênin: Sobre a Violação da Unidade Encoberta com Gritos de Unidade.

Além de Lênin desmascarar completamente Trotsky como um inimigo do Partido e da revolução, ele também desmascara a formação de frações e sua funcionalidade derrotista. No caso do nosso Partido/Frente, a bagunça das frações se manifesta de forma ainda mais perturbadora, pois nem mesmo o “Partido” reúne condições de compreender sua real natureza dentro da dinâmica da luta de classes. O fato de não haver centralismo democrático como fator de organicidade, o torna completamente cego e alheio às mudanças da conjuntura. Ou seja, o “Partido” se torna completamente cego em sua própria atuação. Já dizia Lênin:

“Em nossa opinião, a ausência de teoria priva a tendência revolucionária do direito à existência e inevitavelmente a condena, mais cedo ou mais tarde, à bancarrota política. Na opinião dos socialistas-revolucionários, no entanto, a ausência de teoria é uma coisa excelente, mais favorável ‘à unidade’. Como você vê, não podemos chegar a um acordo com eles, pois o fato é que nós falamos línguas diferentes.”
- Vladimir Lênin: Aventureirismo Revolucionário.

Os então partidários da “Frente” não têm nada de leninistas ao se absterem do centralismo democrático ou das questões que envolvem as disputas ideológicas e teóricas entre Lênin e Trotsky. São os “renegados” dos “socialistas-revolucionários” russos, vivem apenas da sua pseudo-história de luta nos períodos de grandeza do movimento revolucionário no Brasil nos anos de 1930-1950, porém essa história não os conserva de sua depravação teórica, da sua verdadeira negação de Lênin e a luta do mesmo para construir o socialismo. Não só negando Lênin, como o distorcendo, o colocando em antagonismo com seu mais fiel aluno, o camarada Stálin.

Não pode haver movimento revolucionário sem teoria revolucionária. Não pode haver revolução sem a gloriosa teoria e o Partido de Lênin e Stálin. Para se construir a revolução no Brasil é necessário ter consciência de que a experiência histórica já ensinou que o caminho para a vitória é o cumprimento fiel da teoria Marxista-Leninista, sem distorções teóricas fundadas após o XX Congresso do PCUS, liderada pelo trotskista e revisionista, Nikita Khrushchev.