A ciência bolchevique de formação dos quadros
Esse texto é uma recuperação histórica do
antigo jornal revolucionário “A Classe
Operária”, edição de 1º de janeiro de 1952, número 408. O título original
da matéria é “A Ciência e a Arte Stalinistas de Formação dos Quadros”, no qual
adaptamos, não há autor identificado. Lembramos que esse é um texto do período
de grande riqueza do movimento comunista internacional, onde o PCB (antes
bolchevique e revolucionário) passava por um período de grande aprofundamento
da vida partidária, onde esse se tornava uma referencia bolchevique para todo o
mundo. Fizemos alterações pertinentes para o entendimento do texto ser
possível, principalmente no trecho “Dois Tipos Negativos”, que pelo jornal
original estavam praticamente irreconhecíveis.
Pedimos a todos os bolcheviques, aos
Marxistas-Leninistas, que quando tiverem tempo livre da complexa vida de
militante revolucionário, que recupere textos do jornal “A Classe Operária”, ou
de qualquer material brasileiro marxista-leninista, para ampliarmos nosso
acervo histórico de textos Marxistas-Leninistas em nosso país. A tarefa de
ampliar o conhecimento marxista está nas nossas mãos, seguiremos com essa
tarefa!
INTRODUÇÃO
Os
militantes revolucionários do mundo inteiro repetem com frequência as sábias
palavras do camarada Stálin: “De todos os capitais valiosos que existem no
mundo, o capital mais precioso e decisivo são os homens, os quadros”. O tesouro
da experiência do glorioso Partido Bolchevique é o puro e rico manancial em que
todo Partido Comunista digno deste nome vai usufruir dos ensinamentos
indispensáveis para realizar uma justa política de organização com uma justa
política de quadros. Coube ao camarada Stálin a tarefa de primeira grandeza de
realizar a proliferação dessa experiência e a elaboração completa da ciência e
da arte bolchevique da formação, seleção e distribuição dos quadros.
ONDE
E QUEM RECRUTAR
Por que os quadros são o capital mais
precioso?
Com certa frequência, encontram-se pessoas
que por se julgarem “quadros” julgam-se “preciosas” e procuram assim fazer das
palavras do camarada Stálin um escudo contra a crítica, uma justificativa ao
oportunismo de fazer depender a execução das tarefas de suas conveniências
individuais. É evidente que se trata exatamente do contrário. Os quadros são o
capital mais precioso porque a linha política do Partido foi feita pra ser
cumprida.
“Para levar a prática uma linha política
acertada se necessitam quadros, se necessitam homens e mulheres que compreendam
a linha política do Partido, que a concebam como uma linha política sua
própria, que estejam dispostas a realiza-la na prática, que saibam fazê-lo e
sejam capazes de fazer-se responsáveis por ela, de defendê-la e de lutar por
ela. Sem isto uma linha política acertada corre o risco de ficar no papel.”
-
Josef Stálin: O Homem, O Capital Mais Precioso.
O camarada Stálin valoriza ao máximo a
qualidade de membro do Partido. Em seu julgamento histórico à memória de Lênin
ele diz que “não há nada de superior ao título de membro do Partido”. E na
mesma ocasião indica a fonte principal de onde devem ser recrutados os quadros
e que pessoas devem ser chamados para as fileiras do Partido:
“Nós, os comunistas, somos homens de uma
tempera especial. Somos feitos de um estofo especial. Somos aqueles que formam
o exército do grande estrategista proletário, o exército do
camarada Lênin. Não há nada mais alto que a honra de pertencer a esse
exército. Não há nada superior ao título de membro do Partido, cujo fundador e
chefe é o camarada Lênin. Não é dado a todos ser membro de tal Partido.
Não é dado a todos resistir às adversidades e tempestades a que se está
exposto, quando se é membro de tal Partido. Mais do que ninguém, são os filhos
da classe operária, os filhos da miséria e da luta, os que sofrem as mais duras
privações e realizam os mais heroicos esforços, que devem ser membros de tal
Partido. Esta é a razão pela qual o Partido dos leninistas, o Partido dos
comunistas, se chama também o Partido da Classe Operária.”
-
Josef Stálin: Por Motivo da Morte de Lênin.
DE QUE SERVIRIA UM
PARTIDO SÓ DE “INTELECTUAIS”?
Com certa frequência, encontram-se pessoas
que levam estas exigências a um ponto tal que o Partido ficha fechado a sete
chaves. Os organismos sob sua direção não crescem, não recrutam. Descobre-se
atrás dessa atitude o oportunismo e espontaneísmo, que pretende só trazer para
as nossas fileiras os quadros já formados, que demonstram compreender e dominar
a nossa linha política. É um meio de resistir a organização do Partido com base
na Classe Operária, nas empresas e de limita-lo a um punhado de “sábios”. O
camarada Stálin ridiculariza e desmascara esta posição, “De que nos serviria um
partido assim?”.
Os estatutos de nosso Partido, como de todo
partido Leninista, exigem os seguintes requisitos para que alguém seja membro
do Partido:
1. Aceite o seu programa.
2. Atue em uma de suas organizações.
3. Pague as suas contribuições.
Isto não quer dizer que, limitando a questão à
aceitação da linha política, fique de lado como coisa dispensável e desnecessária
a preparação teórica e ideológica dos quadros. De modo nenhum é assim. A
aceitação da linha política é uma condição inicial. O resto vem depois, vem
logo em seguida, um trabalho tem que ser feito dentro do Partido, com a ajuda e
sob o controle do Partido para realizar satisfatoriamente as tarefas práticas
de cada membro do partido, precisa cada vez mais de elevar sua compreensão política
para se orientar diante de cada caso concreto e desenvolver, assim, a sua
iniciativa e, para isso, cada quadro precisa elevar constantemente seu nível teórico.
“Quanto mais elevado é o nível político e o
grau e consciência Marxista-Leninista, tanto mais elevado e frutífero é o
próprio trabalho, tanto mais eficientes são os resultados do mesmo. Ao
contrário, quanto mais baixo o nível político e o grau de consciência
marxista-leninista, tanto mais a chance de mesquinhez e a desagregação dos
militantes que se convertem em mesquinhos e rotineiros, burocratas, tanto mais provável
é a sua degeneração.”
-
Josef Stálin: Partido Comunista, Vanguarda da Classe Operária.
Para que nos coloquemos à altura das
grandiosas tarefas traçadas pelo Manifesto de Agosto, para que possamos nos
colocar a frente dos choques da classe que amadureceram em nosso país, para que
nos coloquemos eficientemente pela paz e a independência nacional é
indispensável seguir as indicações do camarada Stálin sobre a elevação do nível
ideológico dos quadros.
NÃO
HÁ LUGAR PARA GENTE DE DUAS CARAS NO PARTIDO
O camarada Stálin educa todos os comunistas
no espírito da vigilância revolucionária, Stálin nos ensina a reconhecer os
inimigos do Partido:
“O Partido sabia que surgem nas suas fileiras
não só homens honrados, mas também indivíduos casuais, também ativistas que
procuram aproveitar a bandeira do partido para seus fins pessoais.”
Em outras palavras, advertiu ainda o camarada
Stálin:
“Não se pode considerar o Partido como algo
desligado da gente que o rodeia. Vive e atua no meio que o circunda. Assim, não
há nada de estranho que às vezes nela penetre um espírito ruim.”
Em nenhum momento, temos o direito de
esquecer essas sabias lições do grande Stálin. Pois, nós sabemos que estamos na
retaguarda imediata do imperialismo americano. Sabemos que o camarada Prestes e
o nosso partido são o principal obstáculo para sua política de guerra e
escravização do povo brasileiro. Sabemos que as massas se voltam cada vez mais
para o nosso Partido. Sabemos que as dificuldades e as contradições das classes
dominantes, vassalas do imperialismo e do dólar, são cada vez maiores e mais
sérias. Sabemos que, nestas condições, o imperialismo ianque e seus lacaios
nativos se empenham em atacar e destroçar o Partido, que não o fazem somente de
fora para dentro, mas se esforçam por minar o Partido de dentro para fora. Não
podemos esquecer que o infame grupo Trotskista tentou dividir o partido em 1937,
que os Trotskistas estavam prestando um serviço direto ao golpe fascista de Getúlio
Vargas em 10 de novembro.
Temos, portanto, o dever patriótico e
revolucionário de elevar ao máximo a vigilância revolucionária, de comprovar constantemente
o valor dos homens e mulheres, não pelo que eles dizem, mas pelo que eles
fazem. E o camarada Stalin quem nos ensina que, para vencer, um partido revolucionário
não pode abrigar em seu seio homens de duas caras.
“OS QUADROS,
CAMARADA ANGELINA, OS QUADROS”
Em dezembro de 1935, na Conferência dos Kolkhozianos
de choque, a tratorista e chefe de equipe, Pacha Angelina, informava, da
tribuna, sobre suas experiências. Com sua equipe ela obtinha um rendimento de
1.225 hectares por trator e se comprometia a elevar esse rendimento para 1.600
hectares por trator e a organizar mais dez equipes de mulheres tratoristas no
seu distrito. Ao terminar, o camarada Stálin perguntou-lhe:
– Quantas sois em vossa equipe?
– Nove, respondeu Angelina, apontando para
suas camaradas.
– Os quadros, camarada Angelina, os quadros,
lembrou-lhe então Stálin.
“Estas palavras – Disse depois Pacha Angelina
– me abriram vastos horizontes, elas deram uma nova orientação aos meus
pensamentos. Desde então, foi com outros olhos que eu vi o mundo que me
cercava.”
A ORQUESTRA DO TRABALHO DO PARTIDO
O camarada Stalin, nosso educador, não deixa
passar uma oportunidade para insistir na formação dos quadros através da luta
contra as dificuldades. O estudo, a elevação do nível ideológico, são uma
questão importante. Mas isto ainda é insuficiente, eis do que devemos estar
convencidos, agora que um edificador e construtivo interesse pela elevação do
nível teórico percorre o Partido de alto a baixo, como resultado concreto das
resoluções do Pleno de Fevereiro do Comitê Nacional. A propósito diz o Grande
Stálin:
“Os quadros recebem a verdadeira tempera no
trabalho vivo, fora das aulas na luta contra as dificuldades, na superação
dessas dificuldades. Somente são bons aqueles quadros que não tem medo das
dificuldades, que não se escondem ante as dificuldades, mas que, ao contrário,
marcham ao seu encontro para superá-las e liquidá-las. Só nas lutas contra as
dificuldades se forjam os verdadeiros quadros.”
Neste momento, quando se aguça e se aprofunda
a luta de classes, quando nosso Partido, guiado por uma justa linha política
revolucionária, começa a alcançar êxitos cada vez maiores no trabalho de isolar
e desmascarar os inimigos da classe operária, um número crescente de
trabalhadores se volta para o Partido. É de imensa utilidade estudar e aplicar
as lições do camarada Stálin sobre o aproveitamento dos quadros velhos e dos
quadros jovens.
“Os quadros velhos são uma riqueza”, ensina
Stálin. Eles têm uma grande experiencia de direção, conhecimento do trabalho, força
de orientação e são mais desenvolvidos politicamente. Estes são seus lados
positivos que fazem deles o cerne do Partido, os mestres dos quadros jovens que
não tem essas qualidades. Mas os quadros velhos, a velha guarda, tem também
seus lados negativos. O camarada Stálin adverte que os quadros velhos, em
virtude das próprias leis da natureza, começam a ficar fora de combate, seu número
diminui, e muitos deles tem uma inclinação para viver das glorias do passado,
sem perceber o novo, as novas condições de luta. Nesse sentido, os quadros
jovens podem ser os mestres dos quadros velhos, pois eles têm o sentido do
novo, crescem e se instruem rapidamente. “Em conclusão, diz Stálin, manter o
rumo da harmonia, da fusão dos quadros velhos com os jovens em uma só orquestra
do trabalho dirigente do Partido.
A SELEÇÃO DOS QUADROS
Mas esta orquestra não estará bem afinada se
não fossem observadas rigorosamente as regras Stalinistas de seleção, educação,
distribuição, promoção e controle dos quadros no processo do trabalho.
1. Apreciar os quadros como tesouro do Partido,
valorizá-los e respeitá-los. Stálin exige “o maior cuidado com nosso pessoal ‘grande’
ou ‘pequeno’ e condena a prática de “em lugar de estudar os homens e depois
indicar-lhes os postos a moda de um jogo, como se eles fossem peões de xadrez”.
O camarada Stálin nos ensina ainda que “ao julgar-se um homem é necessário
atender-se ao princípio do tratamento individual diferenciado. Não se pode
medir todos pela mesma forma”;
2. Conhecer os quadros, estudar minuciosamente
seus méritos e defeitos, saber em que postos podem melhor desenvolver suas
qualidades;
3. Formar minuciosamente os quadros, ajudar a
elevar cada um dos militantes que progridem, não poupar tempo para educá-los e
acelerar seu avanço;
4. Promover oportuna e audazmente os quadros jovens,
sem dar-lhe oportunidade de se paralisar nos velhos postos;
5. Distribuir os militantes em seus postos de
tal modo que cada um possa dar o máximo de acordo com suas qualidades pessoais
e que a distribuição esteja de acordo com as exigências da linha política, isto
é, que os homens e mulheres decisivos fiquem nos lugares decisivos.
A observância dessas regras é indispensável
para satisfazer a exigência Stalinista de elevar
o trabalho de organização ao nível da direção política, o que em nosso caso
quer dizer, praticamente, elevar nosso trabalho à altura da direção do camarada
Prestes e do Comitê Nacional.
DOIS TIPOS NEGATIVOS
O
camarada Stálin expõe ao ridículo dois tipos de militantes que dificultam o
trabalho, dois tipos negativos que emperram a luta:
1.
Grão
Senhor, o Aristocrata: Esse tipo adquiriu méritos no
passado e, por isso, se julga um intocável, com direitos infinitos adquiridos
dentro do Partido, livre do dever de receber críticas e fazer o exercício da
autocrítica. O “Aristocrata” tem a sensibilidade à flor da pele e é facilmente
reconhecível. Ele se manifesta inteiramente de acordo com o “Manifesto de
Agosto”, mas na sua atividade prática, continua sendo a mesma coisa de antes do
Manifesto, ele está superado pela marcha da vida.
2. Charlatão
Honrado: Stálin descreve esse tipo com muita ironia, o
assemelha ao caso de semeadura das sementes. Quando esse é apertado e
questionado pelo controle de execução da tarefa, o “Charlatão Honrado” aponta
que limitamos o organismo, levando a si mesmo ao máximo de sua importância.
Após isso, achamos que as sementes das tarefas brotarão, mas elas não foram nem
mesmo plantadas. Esse tipo é tão facilmente reconhecível como o “Aristocrata”. Ele
agirá de acordo com o Manifesto de Agosto, aceita as cotas de coleta de assinaturas,
mas não move uma palha para caminhar o trabalho, é incapaz de tomar a mais
simples medida para que se cumpram as tarefas.
APRENDER COM OS ERROS
A
ciência stalinista da formação dos quadros exige o exercício da crítica e da
autocrítica, como método cotidiano de trabalho. “ter o valor de reconhecer
francamente os erros, descobrir suas origens, apontar os meios para sua solução
e, com isso, ajudar o Partido a dar aos quadros a instrução e a educação
política”. O controle da execução das tarefas tem sido um conteúdo crítico e
autocrítico, uma elevada função educativa, isso exclui, portanto, a conduta dos
ferrabrases da crítica, que mascaram com acusações aos quadros e às bases os
seus erros, às seleções e distribuição dos homens e mulheres, na transmissão
das tarefas.
O camarada Stálin ensina que o
controle:
1.
Permite reconhecer o militante e
determine as verdadeiras aptidões;
2.
Permite estabelecer os méritos e
defeitos do aparelho executivo;
3.
Permite estabelecer os méritos e
defeitos das próprias tarefas.
Assim,
o controle deve ser permanente e não apenas de vez em quando. Os quadros, com a
ajuda da crítica e com o exemplo da autocrítica de quem tem a responsabilidade
de controlar, seguirão avançando no processo de cumprimento de tarefas
partidárias exigidas em cada caso.
Quando
nosso Partido afirma que ainda não estamos à altura de nossas tarefas, que
nosso atraso é devido às condições subjetivas porque as condições objetivas são
favoráveis, o Partido está mostrando que a revolução brasileira tem fome e sede
de quadros. Estudemos e apliquemos nosso grande e querido Stálin, façamos tudo
até o limite máximo de nossas forças para apreender e praticar suas lições. Se
temos Stálin tudo só pode ir bem. Se, com dedicação, esforço e trabalho,
seguirmos o caminho indicado por Stálin, teremos a felicidade de participar da construção
da vitória da grande causa da paz e do Socialismo.
